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Nos idos de 1870, Mme. Emilia Curty oferecia aos seus escravos, na Fazenda Santa Emília, como última refeição da noite, uma gamela cheia de angu com leite. Cada escravo servia-se à vontade com seu coité, cujo pé encontra-se no mesmo local até hoje.
Como o alimento era o único “pagamento” que aquelas pessoas recebiam, e este era um a mais, correu na região a fama da Fazenda da Gamela de angu com leite. Da gozação virou apelido e, hoje, seus bisnetos transformaram em nome. Também na Gamela, recebiam os escravos fujões, pagando sua alforria aos capitães do mato, que vinham ao seu encalço. Esta aura de respeito, liberdade e paz mantém-se até os dias atuais para todos os que ali habitam ou são recebidos.
GAMELA: O QUE É? Naquela época, os utensílios domésticos, especialmente na cozinha, tinham na madeira seu componente principal.
Existe uma árvore chamada “gameleira” cujo tronco e raízes se prestam muito bem para esses utensílios e, principalmente, quando cavados com a chibanca (instrumento próprio para isto), formavam um tipo de cocho de madeira com mil e uma utilidades, inclusive para servir o angu com leite da nossa historinha. E COITÉ? QUEM SABE? Quando no pé é esférico parecendo uma pequena melancia, amadurece com a mesma forma, um pouco mais ovalado e é colhido e cortado longitudinalmente tornando-se um recipiente também de muitas utilidades.
Em outras regiões é chamado de cuia. CURIOSIDADE “LITERÁRIA” SOBRE O COITÉ Quem estiver aprendendo a falar português, fica tonto, porque no pé-da-letra é coité, cortou vira cuia, caiu é caco
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